domingo, 5 de julho de 2015

Cinturão de Kuiper: do que ele é formado?

Pouco depois da descoberta de Plutão, em 1930, os astrônomos começaram a teorizar que ele não estava sozinho no sistema solar exterior. Com o tempo, postularam a existência de outros objetos na região, que iriam descobrir só em 1992. Em suma, o Cinturão de Kuiper foi imaginado bem antes de ser descoberto.

Os objetos de Kuiper

O Cinturão de Kuiper (também conhecido como Cinturão de Edgeworth-Kuiper) é uma região do sistema solar além dos oito planetas maiores, que se estende desde a órbita de Netuno (a 30 UA) a cerca de 50 UA de distância do sol. UA é uma unidade astronômica equivalente a 149.597.871 quilômetros.
Kuiper é semelhante ao cinturão de asteroides, na medida em que contém muitos corpos pequenos remanescentes da formação do sistema solar, mas é muito maior – 20 vezes mais largo e 20 a 200 vezes mais massivo.
O cinturão abriga uma “coleção” de corpos celestes que provavelmente não existiriam se Netuno não tivesse se formado. Sem Netuno, esses pequenos corpos talvez se reuniriam em um só, formando o próximo planeta do sistema solar.
Vasto e inexplorado, o Cinturão de Kuiper também é a fonte de muitos cometas. Os cientistas acreditam que todos com uma órbita que dura 200 anos ou menos vêm de lá. O mais famoso originário de Kuiper é o Cometa Halley, ativo nos últimos 16.000 a 200.000 anos.

A descoberta do cinturão

Pouco depois da descoberta de Plutão, os astrônomos começaram a ponderar a existência de uma população de objetos além de Netuno, como Freckrick C. Leonard. Em seguida, Kenneth Edgeworth afirmou que o material dentro da nebulosa solar primordial além de Netuno era amplamente espaçado e deveria ser habitado por uma infinidade de corpos menores, e não planetas.
Em 1951, o astrônomo holandês Gerard Kuiper especulou um “Cinturão de Kuiper”, disco do qual objetos podiam se soltar e vagar pelo sistema solar. A ideia fez sentido para os astrônomos. A existência de tal cinturão na região não só ajudava a explicar por que não havia grandes planetas mais para fora do sistema solar, como também resolvia o mistério de onde vinham os cometas.
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Quem finalmente confirmou a existência do cinturão foram os pesquisadores David Jewitt e Jane Luu. Usando o observatório da Universidade Mauna Kea, no Havaí, eles anunciaram a descoberta de um candidato a objeto do Cinturão de Kuiper em 30 de agosto de 1992. Seis meses depois, encontraram um segundo objeto na região. Muitos mais se seguiram: há mais de mil objetos descobertos em Kuiper, cerca de 100.000 deles maiores que 100 km de diâmetro.
Hoje também sabemos que esse tipo de estrutura não é única do sistema solar. De acordo com pesquisas em infravermelho, estima-se que 15 a 20% das estrelas como o sol possuam enormes estruturas como o Cinturão de Kuiper em seus sistemas. A maioria parece ser bastante jovem, mas dois sistemas estelares – HD 139664 e HD 53143, observados pelo telescópio espacial Hubble em 2006 – têm mais de 300 milhões de anos.
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Composição

Dados seus pequenos tamanhos e extrema distância da Terra, a composição química dos objetos de Kuiper é difícil de determinar.
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No entanto, estudos espectrográficos da região em geral indicam que os seus membros são feitos principalmente de gelo: uma mistura de hidrocarbonetos leves (como metano), amônia e água gelada – uma composição que compartilham com cometas.
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Estudos iniciais também confirmaram uma ampla gama de cores entre os corpos, variando de cinza neutro a vermelho intenso.
Além de Plutão, muitos outros objetos de Kuiper são dignos de menção, como Quaoar, Makemake, Haumea, Orcus e Eris. Esses são grandes corpos do cinturão, sendo que muitos dos maiores objetos da região têm luas próprias.
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Um olhar de perto

No dia 19 de janeiro de 2006, a NASA lançou a sonda espacial New Horizons para estudar Plutão, suas luas e um ou dois outros objetos do Cinturão de Kuiper.
A partir de 15 de janeiro de 2015, a nave espacial começou a se aproximar do planeta anão, e deve fazer um voo rasante por ele em 14 de julho de 2015. Quando atingir a área, os astrônomos esperam várias fotografias interessantes do Cinturão de Kuiper também.
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Precisamos da maior quantidade de detalhes possível, pois, em vez de criarem corpos cada vez maiores, os objetos celestes da região estão colidindo e lentamente se “moendo” e virando pó. Daqui cem milhões de anos, provavelmente não haverá mais Cinturão de Kuiper.


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